Let It Rock
Tudo o que podia fazer era curtir o momento, curtir o som, curtir a vida. A balada naquele estava simplesmente lotada. Via muita gente dançando. Uns dançavam sozinhos, outros acompanhados, outros então... Só faltavam ficar nus ali mesmo. Se perguntava por que sempre que estava chateado, irritado, qualquer coisa do tipo ia pra lá. Lá não ia encontrar o que queria, talvez até encontrasse, mas era só por uma noite. Não para sempre.
Continuou observando as pessoas dançando. Ninguém que chamasse sua atenção passava por lá. Estava na área VIP, de lá poderia ver tudo e todos, mas como era possível não encontrar uma pessoa interessante? Sentia as pessoas olharem para ele, isso era normal, sabia que chamava atenção. Não que fosse convencido, só que admitia ser atraente para os olhos dos outros.
Sentiu que devia sair de lá um pouco, talvez andar, esquecer tudo o que via lá, gostava daquele lugar, mas sentia nojo de tudo o que via, de tudo o que ouvia. Mas antes de chegar na porta sentiu uma mão lhe puxando de volta. Se virou para ver quem era e quem sabe discutir, mas não teve tempo, recebera um belo beijo. Um beijo que esqueceria facilmente, por mais ardente que fosse, por mais excitado que tenha ficado, nenhum beijo era igual ao daquela pessoa. E isso só o fez lembrar dela, só o fez lembrar de sua dor, de sua raiva.
Graças a essas lembranças decidiu não se segurar mais, deixou o beijo rolar, deixou tudo rolar. Aquele beijo até que era bom, sentia suas mãos descendo pelo corpo dela, era bem atraente pelo tato. Podia sentir ela gemer devagar e baixo entre os beijos, estava gostando de como ele a segurava com força e a puxava para mais perto de si. Queria mais contato que isso, queria aquele corpo agora mesmo, um corpo que lembrava tanto o dela. Como duas pessoas poderiam ter o mesmo tipo de corpo? Isso tinha que ser impossível.
Logo sentiu vontade de sair dali e continuar o que ela queria muito fazer. Guiou-a aos beijos até seu carro, com o controle abriu as portas e ligou o carro, ela se sentou no banco do passageiro e ficou esperando ele dar a volta para ir ao banco de motorista. Foi tudo muito rápido. Sentou-se, saiu da garagem do local e logo estava a caminho de casa. As caricias continuaram lá dentro e a mulher não perdeu tempo e colocar seu objeto de desejo para fora da calça. Não lembra bem do que ela disse, pois o som do carro estava alto, mas achava que era algo como: “muito bonito, do jeito que gosto.”
Quase perdeu o controle do carro quando a saliva quente daquela desconhecida tocou seu membro. Particularmente nunca sentiu tanto tesão ao ser chupado. Não que não gostava. Mas ninguém sabia fazer aquilo direito. Ninguém a não ser ela. De novo voltou a pensar nela. Inconscientemente forçou a cabeça da estranha para baixou, ela engasgou, mas não estava nem aí. Mal sabia ela que no final de tudo aquilo tudo que ia sobrar seriam as lembranças, se é que mortos têm lembranças.
Não demorou muito e finalmente chegou a seu apartamento. Não queria mais demorar com aquilo, com aquela demora. Abriu a porta com força demais, tirando-a do lugar, mas aquela humana nem percebeu, estava ocupada demais, trepada nele o beijando. Ele simplesmente largou a porta no chão, e continuou o trajeto até seu quarto. No corredor passou em frente a um espelho, ela decidiu olhar, só para ter certeza de que era verdade que estava com aquele lindo homem e por um momento pensou estar alucinando. Via-se parada no ar, mas só isso, como se fosse mágica, ele não tinha reflexo. Ok concordou consigo mesma quando pensou que era tudo graças ao êxtase que tomou minutos antes de ir até ele.
Quando finalmente chegou ao quarto e a jogou na cama, e mais rápido do que ela podia acompanhar, tirou toda sua roupa, ficando só de cueca. Parou um tempo, para que ela pudesse vê-lo e admirá-lo. E ela olhou e sentia cada vez mais vontade de tê-lo dentro de si. Seu corpo era escultural, tudo no lugar, combinava perfeitamente com ele, tão perfeitamente que parecia surreal.
Seus cabelos curtos arrepiados pretos, seus olhos intensamente negros e sua pele branca, combinavam. Fazia contraste, era um modelo, tinha de ser. Lindo daquele jeito. Ele sorriu, pela primeira vez. Se encantou com aquele sorriso, seus dentes eram perfeitamente brancos e perfeitamente perfeitos. Que sorte tinha de estar no mesmo quarto que ele.
Viu ela se despir lentamente. Não, não queria assim. Queria que tudo fosse rápido. Queria acabar logo com isso. Tinha que admitir que ela era bonita. O suficiente para qualquer um menos para ele. Ele era exigente e para ele ninguém a substituíra. Chegou perto daquela estranha e terminou de tirar as roupas que lhe faltavam. Logo estava deitado com ela, tendo mais uma noite de luxuria. Sem prazer algum pois humanos... Humanos não eram capazes de diverti-lo, de entretê-lo. Ela gemia alto, odiava aquilo. Não era gemido de prazer e sim de dor. Fazia tudo aquilo com força, com selvageria. Ligou o som num volume considerável para que seus gemidos fossem abafados. Ela o pegara num péssimo dia e ainda o fizera lembrar duas vezes da outra. Seu humor estava realmente péssimo.
Quando finalmente terminou, não perdeu tempo. Ela estava cansada e totalmente “nas nuvens” aproveitou para “jantar”. Suas presas apareceram automaticamente e mordeu com fúria seu pescoço. Ela começou a se contorcer, tentou gritar mas o som estava alto demais para que alguém a ouvisse. Aquele liquido era tão bom, tão quente. Sentia-se vivo de novo, sentia prazer de novo. Aquela mulher não sabia que tinha se metido com um demônio de fato, como suspirava enquanto transavam. O sangue escorria devagar pelo pescoço e chegou até o seio direito. Ele o lambeu, não queria perder uma gota se quer. Finalmente se sentia vivo de novo. Jogou o corpo no chão e andou até a varanda do quarto. Encostou no parapeito, sentindo o vento tocar seu rosto. Abriu os olhos e eles adquiriram uma nova cor. Um vermelho tão intenso que parecia sangue. Um vermelho vivo que hipnotizaria qualquer um que o olhasse direto nos olhos. Sorriu.

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