Enquanto estava com Henrique tudo parecia normal de novo, se é que se podia dizer isso. Como ambos aparentavam ter 19 anos, eles ainda faziam a faculdade, não se importando com a discrição da sua raça. Era divertido. Gostava de ver como varias humanas naquele local o olhavam com cobiça e desejo, e principalmente, gostava de humilhar os humanos que se diziam professores. Conhecia muito mais que eles sobre qualquer coisa, só fazia aquilo por simples diversão.
Com Henrique não era diferente, o loiro chamava tanta atenção quanto Erick, ou até mais, mas isso não incomodava o príncipe, era legal eles brincarem de quem pegava mais humanas e sempre que tinham um novo alvo, eles competiam por sua atenção, não por que a desejavam, mas pelo simples fato de ter que fazê-la escolher um dos dois... Ou os dois.
Mas aquele dia em especial estava tedioso, achava que com o começo do ano no Brasil veria coisas novas, pessoas novas, alguém que, por um milagre, pudesse despertar seu interesse, mas desde aquela manhã, que seu pai dera a noticia sobre a descendente de Sarah, algo o incomodava muito, algo que ele pensou ter apagado de sua cabeça há décadas.
Bem devagar, lembranças de Sarah vinham em sua mente, lembras de uma época que ele não pensava que poderia ser feliz. Lembranças de que uma vez queria ser humano para poder viver ao lado dela. Lembranças do grande amor que sentiu por ela. Não sabia o porquê de estar lembrando daquilo, estava se irritando, e, talvez, o tema da aula que o fizera lembrar daquilo.
- Mas professor, o senhor acredita que tais criaturas possam existir? – Perguntava alguém há 3 carteiras atrás da sua, conhecia aquela voz, era a voz de Danilo, o cara mais chato que já conhecera em sua longa vida, depois de seu meio irmão, talvez.
Olhou para Henrique buscando orientação do assunto.
- Coisas sobrenaturais... – Sussurrou Henrique que se sentava ao seu lado.
- Bom... Até hoje não provaram que não existem certo? – Disse o professor com um sorriso maroto no rosto.
Por incrível que pareça aquele era um dos únicos humanos que Erick chegara a gostar em toda sua longa vida. Não sabia explicar como, mas algo em como ele conduzia a aula, em como ele falava do “sobrenatural”, sempre despertou o interesse do vampiro naquele ser humano. Erick sempre se perguntava se aquilo tudo que o professor sabia era coincidência ou não, se o que ele sabia era por que de fato, ele já vira algo assim.
- O que você acha Erick?
De repente a atenção de toda a sala se voltara para ele, e Henrique sorriu maliciosamente, fazendo seus olhos brilharem sobre as lentes azul que usava.
- Acho que tudo em que acreditarmos pode existir. Deus, diabo, fantasmas, vampiros, bruxas. Tudo depende do quanto e de como acreditamos. – Respondeu olhando diretamente para o professor que mantinha um olhar desafiador.
- Ótima definição Erick, como sempre. – Disse o professor cumprimentando o vampiro com um sorriso discreto e um piscar de olhos.
- Sim... – Suspirou. Olhou no relógio e ainda tinha que esperar mais 30 minutos para poder ir pro intervalo, isso se ele quisesse continuar com aquela aula.
Como se fosse por mágica aquele cheiro doce veio no ar e o atingiu em cheio. Conhecia aquele cheiro de longe, era um cheiro que no começo era doce e depois ficava amargo, fétido, um cheiro que somente os vampiros poderiam sentir.
Ao mesmo tempo em que se levantou Henrique fez o mesmo, se olharam rapidamente, e foram em disseram à porta. O professor não tentou impedi-los. Ninguém o teria feito, seus olhares sustentavam um ódio capaz de fazer até o mais furioso e corajoso dos homens tremer e correr de medo.
- Alguma diversão. – Disse Henrique com um sorriso maldoso no rosto. As lentes desapareceram de seus olhos, dando lugar aos olhos vermelho sangue.
- Seja quem for se arrependerá de invadir MEU território.
Erick estava com uma expressão assassina no rosto e Henrique sabia que quando o amigo e príncipe tinha aquela expressão significava morte para qualquer um que entrasse em seu caminho.
Passavam despercebidos por todos graças a velocidade sobre-humana, mesmo assim não se importavam se algum humano pudesse vê-los, sua atenção estava voltava para o ser que se encontrava no alto de um dos blocos da faculdade. Podiam ver de longe que ele sorria, embora aquela não parecesse nem de longe com uma boca humana e nem sua forma parecia humana.
Deram um pequeno salto e, graças a velocidade que mantinham, chegaram ao topo do prédio sem problemas. Lá o cheiro era mais forte e perceberam que não havia somente um, e sim cinco criaturas que mais se assemelhavam a cachorros ou lobos. Enormes lobos que superavam com facilidade os 1,95m dos vampiros, mas mesmo sendo enormes os “lobos” os vampiros não tinham medo, ainda sustentavam a raiva nos olhos, mas os “lobos” não tinham medo daquele olhar.
- Lobisomens... Sabia que isso estava fedido demais. – Disse Henrique, zombando, tapando seu nariz para que não sentisse mais aquele odor.
Um dos lobos rosnou ameaçadoramente para Henrique, que apenas sorriu maliciosamente.
- Diga o que querem e sairão vivos. – O tom ameaçador na voz de Erick fez com que Henrique de alguma forma sentisse medo do amigo. O loiro sabia muito bem que quando Erick queria ele sabia ser realmente ameaçador.
Nenhuma resposta dos Lobisomens. Passou-se um minuto, e Henrique sabia muito bem que Erick não iria esperar muito mais, se os Lobisomens queriam apenas morrer, era só eles demorarem mais um minuto para responder à pergunta de Erick.
O Lobisomem que estava na beirada da do prédio se manisfetou. Ele tinha um pêlo de tom avermelhado e apesar de ser o maior de todos em seus olhos não se via nenhum sinal de que ele queria lutar, diferentemente de seus amigões.
O lobo vermelho começou a diminuir de tamanho e seus pêlos começaram a sumir. Em poucos segundos o monstro dera lugar há um homem muito mais baixos que os vampiros, de pele mais morena. Seus cabelos ruivos desciam até seus ombros e os olhos eram castanho-claros. Sustentava uma barba para fazer, sua feição demonstrava cansaço e velhice e suas roupas pareciam de mendigo.
- Sinto muito invadir seu território, príncipe vampiro mas... – Fora interrompido.
Mais rápido que qualquer um podia imaginar, Erick pegou o homem pelo pescoço e o prensou com força no chão do teto, o prédio inteiro tremeu diante da enorme força do vampiro e o chão rachou sob o corpo do homem.
- É muita ousadia sua vir até aqui, interromper meus estudos, lobisomem.
Henrique riu perante a ironia de Erick, o que não fora muito bem aceito pelos outros amigos do homem, que enfurecidos foram para cima de Erick, mas não tiveram tempo de fazer muita coisa. Tão rápido quanto Erick, Henrique fez todos os quatro lobisomens tombarem diante de sua força e ficou entre eles e Erick, em posição de lutas.
- E ainda traz companheiros fracos e burros. Só direi mais uma vez. – Ele forçou o aperto no pescoço do homem. – O que você quer?!
- C-conversar. – Disse o homem com dificuldade, Erick estava o estrangulando.
- Vocês, cachorros, não gostam de conversar, matam primeiro para depois perguntar.
- Heh, não somos tão diferentes então... – Disse o homem, com um sorriso.
Erick apertou mais ainda sua mão no pescoço dele e o forçou mais ainda sobre o chão, criando mais uma rachadura.
- Não estou de bom humor, e pra falar a verdade com um pouco de fome, se não quiser ter uma morte dolorosa, suma daqui.
- Não até lhe dar um recado.
- Que recado?
- Poderia me soltar antes? Vocês não precisam respirar, mas nós, lobisomens, precisamos.
Erick pensou por um pequeno momento e então soltou o homem. Erick ficou em pé e deus uns passos atrás com Henrique ao seu lado, ainda em posição de luta. Os outros quatro lobisomens tinham uma estranha dificuldade em respirar.
- Chega Henrique. – Disse, pondo sua mão no ombro do amigo.
Aquilo não fora um sinal de consolo o algo do tipo, mas sim um sinal de ameaça. Por mais que confiasse no loiro, Erick não podia permitir que ele brincasse naquela hora, talvez depois de conversar com aquele que parecia o líder da pequena matilha, mas antes disso não.
- Obrigado por sua misericórdia, príncipe. – Disse o homem, se curvando ridiculamente para Erick, ele sabia que aquilo era pura falsidade.
- Sem cinismo, diga logo o que você quer.
- Primeiramente as apresentações: Sou Frederico, líder da matilha de lobisomens da Alemanha, é um prazer conhecê-lo, Erick, príncipe dos vampiros.
- Se é encheção de saco que você quer, por que não foi visitar meu pai?!
O homem não respondeu sua expressão agora era sombria, algo que disfarçava muito bem o medo, mas Erick podia sentir o medo de longe.
- Não tem coragem de encarar o rei, mas o príncipe sim? Você escolheu uma péssima hora.
Erick virou para deixar o local, no final, além de irritado aquilo o deixou entediado, e se fosse só conversar o que Frederico queria, ele poderia conseguir isso com qualquer vampiro, com qualquer humano, por que ir até lá e aborrecê-lo?
Qualquer um teria se arrependido de dar as costas a lobisomens raivosos. Quando Erick deu o primeiro passo um lobisomem de pêlos negros saltou contra ele. A investida teria dado certo se Henrique não estivesse lá, talvez. Mas tão rápido fora o ataque do lobisomem, mais rápido ainda foi o contra ataque de Henrique, que apenas com um chute no rosto do lobisomem, fez com ele voltasse caído para perto dos companheiros, que só rosnaram furiosos para o loiro.
- Lembre-se de quando for visitar meu pai, leve sua matilha inteira, por que só com esses aí vocês serão massacrados.
Frederico não sabia o que fazer ou dizer. Sentia raiva por ser ignorado por aquele moleque que não sabia de nada. Sentia-se ultrajado por não conseguir revidar seu ataque ou o ataque do vampiro que estava ao seu lado, mas principalmente, sentia vontade de mostrar àquele príncipe mimado que os lobisomens podem ser bem ferozes e mortais.
- Se você quer morrer com um ataque, tende pular em mim, acho que Henrique já provou que é mais forte que todos vocês juntos. Suma daqui se tem valor à sua vida. – Erick estava na beirada do prédio, quase pulando quando algo que Frederico disse fez com que ele parasse.
- Temos seu irmão! – Disse Frederico com convicção.
Henrique esperou para ver a reação de Erick, e se surpreendeu quando o amigo virou, com dúvida no olhar.
- Quem?!
Frederico sorriu.
- Seu irmão, Vitor, o pegamos, é nosso refém.
- E?
- Como assim?
- E daí que vocês o pegaram, o que farão com ele?
- O mataremos.
- Seria um problema a menos...
- Você não se importa com seu irmão?
- Bingo.
- Iremos matá-lo!
- Faça o que quiser não me importo com ele.
Frederico não sabia mais o que fazer ou dizer para prender a atenção de Erick, como ele poderia ser tão frio ao ponto de abandonar o irmão desse jeito?
- Ele nos deu valiosas informações.
- Sabe o que você faz com essas informações?! – Erick estava totalmente irritado, se virara para olhar Frederico nos olhos, para que ele soubesse o quão perigosa aquela enrolação estava ficando.
- Ele nos falou sobre uma tal de Mariah...
Aquilo fora a gota d’água. De novo, mais rápido que qualquer um pudesse acompanhar, Erick segurava Frederico pelo pescoço da beirada do prédio da faculdade. Sabia que aquela altura não o mataria, mas serviria de lição para que Frederico nunca mais o procurasse.
- Vou te dizer uma coisa: Mariah não é importante para mim. Vitor não é importante para mim. Meu pai não é importante para mim. O MUNDO NÃO É IMPORTANTE PARA MIM. – Seu grito ecoou pelo lugar todo, tamanha a potencia e sua raiva. – Por que você veio me incomodar com isso?! Você quer morrer né? Olhe seus companheiros, já tombaram.
Frederico olhou com certa dificuldade, e viu Henrique arrancar o braço do ultimo que tentava resistir. Ele sentiu raiva, tanta raiva que voltou a se transformar no enorme lobisomem de pêlos vermelhos, mas mesmo ficando quase duas vezes maior que Erick, e mais forte que quando humano, não conseguiu se soltar da mão do vampiro, que só apertava cada vez mais seu pescoço. Sabia que dessa vez não tinha volta, o príncipe vampiro iria matá-lo, com toda certeza.
- Apesar de sentir raiva o suficiente para querer matar você e meio mundo, não o farei. Não ligo para vocês, lobisomens, mas a morte de um líder de matilha causaria uma guerra e isso faria com que meu pai ficasse no meu pé e Deus sabe o quanto odeio isso.
Frederico não conseguia entender aonde Erick queria chegar. Ele, o líder da Alemanha estava a mercê do vampiro e ainda assim ele não queria matá-lo? Como assim?
- Faça o seguinte, me conte onde meu irmão está, eu e meu amigo vamos, não matamos mais ninguém de seu bando e você vai embora, com o rabo entre as pernas, com medo. Dirá para que ninguém mais venha me irritar e que, se vierem, todos morrerão, todos.
Erick não esperou uma confirmação de Frederico, apenas o soltou. O lobisomem não teve onde se segurar, mas sabia como cair e não se machucar. Seu peso fez com que o chão rachasse, e se sentia cansado, amedrontado, mas acima disso tudo, sentia muita raiva, queria matar aquele vampiro, como queria.
- Então, onde ele está? – Ouviu a voz de Erick bem perto de si, e se assustou. Sua velocidade era monstruosa e sua força mais ainda.
Erick riu da reação de Frederico, Henrique também. Frederico voltou a forma humana e silenciosamente mostrou o caminho para eles. Os três corriam de forma sobre-humana, mas Frederico sabia muito bem que se fosse pra valer, os dois vampiros teriam superado ele facilmente.
Em poucos minutos chegaram num grande balcão, localizado à sua da faculdade Erick. Ele conhecia aquele lugar. Fora ali que brigara varias vezes com o irmão, com Henrique e com outros vampiros submissos à ele, só por diversão, só por treino. Pôde diferenciar facilmente o cheiro de Vitor dos demais, e não esperou nenhum sinal de Frederico, entrou no local infestado de lobisomens, que só sentirão sua presença quando ele estava ao lado de Vitor, arrebentando as grossas correntes que o prendiam. Vitor tinha sido espancado, mas aquilo não fizera Erick sentir pena do irmão nem um pouco.
- Você é realmente um fraco imprestável. – Disse, fazendo Vitor se levantar.
- Cala a boca! – Disse Vitor, ele estava realmente irritado e seus ferimentos estavam se curando aos poucos. – Eu matarei todos eles. – Disse, olhando com raiva os três lobisomens que estavam o vigiando.
- Faça o que quiser. – Erick se virava para voltar para casa, mas uma enorme pata segurava firme seu braço, tentando impedir que ele fosse embora.
Erick apenas olhou para quem estava o segurando. Um novo lobisomem surgira no salão, de pêlos totalmente brancos e um olhar zangado. Erick não se importou e decepou o braço do lobisomem, que uivou de dor e deitou no chão, segurando o ombro que sangrava descontroladamente. Os outros três lobisomens foram para cima de Erick, mas antes que chegassem perto dele, cada um levara um belo soco no estômago, lhes tirando o ar, fazendo com que caíssem a alguns metros de onde estavam.
- Que falta de educação atacar um príncipe pela retaguarda. – Disse Henrique sarcasticamente, se juntando a Erick.
- Diga ao seu chefe para sumir daqui, ok? – Erick se virou para o lobisomem branco, jogando seu braço ao dono. – Vamos embora.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
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