quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nephilim

Enquanto estava com Henrique tudo parecia normal de novo, se é que se podia dizer isso. Como ambos aparentavam ter 19 anos, eles ainda faziam a faculdade, não se importando com a discrição da sua raça. Era divertido. Gostava de ver como varias humanas naquele local o olhavam com cobiça e desejo, e principalmente, gostava de humilhar os humanos que se diziam professores. Conhecia muito mais que eles sobre qualquer coisa, só fazia aquilo por simples diversão.
Com Henrique não era diferente, o loiro chamava tanta atenção quanto Erick, ou até mais, mas isso não incomodava o príncipe, era legal eles brincarem de quem pegava mais humanas e sempre que tinham um novo alvo, eles competiam por sua atenção, não por que a desejavam, mas pelo simples fato de ter que fazê-la escolher um dos dois... Ou os dois.
Mas aquele dia em especial estava tedioso, achava que com o começo do ano no Brasil veria coisas novas, pessoas novas, alguém que, por um milagre, pudesse despertar seu interesse, mas desde aquela manhã, que seu pai dera a noticia sobre a descendente de Sarah, algo o incomodava muito, algo que ele pensou ter apagado de sua cabeça há décadas.
Bem devagar, lembranças de Sarah vinham em sua mente, lembras de uma época que ele não pensava que poderia ser feliz. Lembranças de que uma vez queria ser humano para poder viver ao lado dela. Lembranças do grande amor que sentiu por ela. Não sabia o porquê de estar lembrando daquilo, estava se irritando, e, talvez, o tema da aula que o fizera lembrar daquilo.
- Mas professor, o senhor acredita que tais criaturas possam existir? – Perguntava alguém há 3 carteiras atrás da sua, conhecia aquela voz, era a voz de Danilo, o cara mais chato que já conhecera em sua longa vida, depois de seu meio irmão, talvez.
Olhou para Henrique buscando orientação do assunto.
- Coisas sobrenaturais... – Sussurrou Henrique que se sentava ao seu lado.
- Bom... Até hoje não provaram que não existem certo? – Disse o professor com um sorriso maroto no rosto.
Por incrível que pareça aquele era um dos únicos humanos que Erick chegara a gostar em toda sua longa vida. Não sabia explicar como, mas algo em como ele conduzia a aula, em como ele falava do “sobrenatural”, sempre despertou o interesse do vampiro naquele ser humano. Erick sempre se perguntava se aquilo tudo que o professor sabia era coincidência ou não, se o que ele sabia era por que de fato, ele já vira algo assim.
- O que você acha Erick?
De repente a atenção de toda a sala se voltara para ele, e Henrique sorriu maliciosamente, fazendo seus olhos brilharem sobre as lentes azul que usava.
- Acho que tudo em que acreditarmos pode existir. Deus, diabo, fantasmas, vampiros, bruxas. Tudo depende do quanto e de como acreditamos. – Respondeu olhando diretamente para o professor que mantinha um olhar desafiador.
- Ótima definição Erick, como sempre. – Disse o professor cumprimentando o vampiro com um sorriso discreto e um piscar de olhos.
- Sim... – Suspirou. Olhou no relógio e ainda tinha que esperar mais 30 minutos para poder ir pro intervalo, isso se ele quisesse continuar com aquela aula.
Como se fosse por mágica aquele cheiro doce veio no ar e o atingiu em cheio. Conhecia aquele cheiro de longe, era um cheiro que no começo era doce e depois ficava amargo, fétido, um cheiro que somente os vampiros poderiam sentir.
Ao mesmo tempo em que se levantou Henrique fez o mesmo, se olharam rapidamente, e foram em disseram à porta. O professor não tentou impedi-los. Ninguém o teria feito, seus olhares sustentavam um ódio capaz de fazer até o mais furioso e corajoso dos homens tremer e correr de medo.
- Alguma diversão. – Disse Henrique com um sorriso maldoso no rosto. As lentes desapareceram de seus olhos, dando lugar aos olhos vermelho sangue.
- Seja quem for se arrependerá de invadir MEU território.
Erick estava com uma expressão assassina no rosto e Henrique sabia que quando o amigo e príncipe tinha aquela expressão significava morte para qualquer um que entrasse em seu caminho.
Passavam despercebidos por todos graças a velocidade sobre-humana, mesmo assim não se importavam se algum humano pudesse vê-los, sua atenção estava voltava para o ser que se encontrava no alto de um dos blocos da faculdade. Podiam ver de longe que ele sorria, embora aquela não parecesse nem de longe com uma boca humana e nem sua forma parecia humana.
Deram um pequeno salto e, graças a velocidade que mantinham, chegaram ao topo do prédio sem problemas. Lá o cheiro era mais forte e perceberam que não havia somente um, e sim cinco criaturas que mais se assemelhavam a cachorros ou lobos. Enormes lobos que superavam com facilidade os 1,95m dos vampiros, mas mesmo sendo enormes os “lobos” os vampiros não tinham medo, ainda sustentavam a raiva nos olhos, mas os “lobos” não tinham medo daquele olhar.
- Lobisomens... Sabia que isso estava fedido demais. – Disse Henrique, zombando, tapando seu nariz para que não sentisse mais aquele odor.
Um dos lobos rosnou ameaçadoramente para Henrique, que apenas sorriu maliciosamente.
- Diga o que querem e sairão vivos. – O tom ameaçador na voz de Erick fez com que Henrique de alguma forma sentisse medo do amigo. O loiro sabia muito bem que quando Erick queria ele sabia ser realmente ameaçador.
Nenhuma resposta dos Lobisomens. Passou-se um minuto, e Henrique sabia muito bem que Erick não iria esperar muito mais, se os Lobisomens queriam apenas morrer, era só eles demorarem mais um minuto para responder à pergunta de Erick.
O Lobisomem que estava na beirada da do prédio se manisfetou. Ele tinha um pêlo de tom avermelhado e apesar de ser o maior de todos em seus olhos não se via nenhum sinal de que ele queria lutar, diferentemente de seus amigões.
O lobo vermelho começou a diminuir de tamanho e seus pêlos começaram a sumir. Em poucos segundos o monstro dera lugar há um homem muito mais baixos que os vampiros, de pele mais morena. Seus cabelos ruivos desciam até seus ombros e os olhos eram castanho-claros. Sustentava uma barba para fazer, sua feição demonstrava cansaço e velhice e suas roupas pareciam de mendigo.
- Sinto muito invadir seu território, príncipe vampiro mas... – Fora interrompido.
Mais rápido que qualquer um podia imaginar, Erick pegou o homem pelo pescoço e o prensou com força no chão do teto, o prédio inteiro tremeu diante da enorme força do vampiro e o chão rachou sob o corpo do homem.
- É muita ousadia sua vir até aqui, interromper meus estudos, lobisomem.
Henrique riu perante a ironia de Erick, o que não fora muito bem aceito pelos outros amigos do homem, que enfurecidos foram para cima de Erick, mas não tiveram tempo de fazer muita coisa. Tão rápido quanto Erick, Henrique fez todos os quatro lobisomens tombarem diante de sua força e ficou entre eles e Erick, em posição de lutas.
- E ainda traz companheiros fracos e burros. Só direi mais uma vez. – Ele forçou o aperto no pescoço do homem. – O que você quer?!
- C-conversar. – Disse o homem com dificuldade, Erick estava o estrangulando.
- Vocês, cachorros, não gostam de conversar, matam primeiro para depois perguntar.
- Heh, não somos tão diferentes então... – Disse o homem, com um sorriso.
Erick apertou mais ainda sua mão no pescoço dele e o forçou mais ainda sobre o chão, criando mais uma rachadura.
- Não estou de bom humor, e pra falar a verdade com um pouco de fome, se não quiser ter uma morte dolorosa, suma daqui.
- Não até lhe dar um recado.
- Que recado?
- Poderia me soltar antes? Vocês não precisam respirar, mas nós, lobisomens, precisamos.
Erick pensou por um pequeno momento e então soltou o homem. Erick ficou em pé e deus uns passos atrás com Henrique ao seu lado, ainda em posição de luta. Os outros quatro lobisomens tinham uma estranha dificuldade em respirar.
- Chega Henrique. – Disse, pondo sua mão no ombro do amigo.
Aquilo não fora um sinal de consolo o algo do tipo, mas sim um sinal de ameaça. Por mais que confiasse no loiro, Erick não podia permitir que ele brincasse naquela hora, talvez depois de conversar com aquele que parecia o líder da pequena matilha, mas antes disso não.
- Obrigado por sua misericórdia, príncipe. – Disse o homem, se curvando ridiculamente para Erick, ele sabia que aquilo era pura falsidade.
- Sem cinismo, diga logo o que você quer.
- Primeiramente as apresentações: Sou Frederico, líder da matilha de lobisomens da Alemanha, é um prazer conhecê-lo, Erick, príncipe dos vampiros.
- Se é encheção de saco que você quer, por que não foi visitar meu pai?!
O homem não respondeu sua expressão agora era sombria, algo que disfarçava muito bem o medo, mas Erick podia sentir o medo de longe.
- Não tem coragem de encarar o rei, mas o príncipe sim? Você escolheu uma péssima hora.
Erick virou para deixar o local, no final, além de irritado aquilo o deixou entediado, e se fosse só conversar o que Frederico queria, ele poderia conseguir isso com qualquer vampiro, com qualquer humano, por que ir até lá e aborrecê-lo?
Qualquer um teria se arrependido de dar as costas a lobisomens raivosos. Quando Erick deu o primeiro passo um lobisomem de pêlos negros saltou contra ele. A investida teria dado certo se Henrique não estivesse lá, talvez. Mas tão rápido fora o ataque do lobisomem, mais rápido ainda foi o contra ataque de Henrique, que apenas com um chute no rosto do lobisomem, fez com ele voltasse caído para perto dos companheiros, que só rosnaram furiosos para o loiro.
- Lembre-se de quando for visitar meu pai, leve sua matilha inteira, por que só com esses aí vocês serão massacrados.
Frederico não sabia o que fazer ou dizer. Sentia raiva por ser ignorado por aquele moleque que não sabia de nada. Sentia-se ultrajado por não conseguir revidar seu ataque ou o ataque do vampiro que estava ao seu lado, mas principalmente, sentia vontade de mostrar àquele príncipe mimado que os lobisomens podem ser bem ferozes e mortais.
- Se você quer morrer com um ataque, tende pular em mim, acho que Henrique já provou que é mais forte que todos vocês juntos. Suma daqui se tem valor à sua vida. – Erick estava na beirada do prédio, quase pulando quando algo que Frederico disse fez com que ele parasse.
- Temos seu irmão! – Disse Frederico com convicção.
Henrique esperou para ver a reação de Erick, e se surpreendeu quando o amigo virou, com dúvida no olhar.
- Quem?!
Frederico sorriu.
- Seu irmão, Vitor, o pegamos, é nosso refém.
- E?
- Como assim?
- E daí que vocês o pegaram, o que farão com ele?
- O mataremos.
- Seria um problema a menos...
- Você não se importa com seu irmão?
- Bingo.
- Iremos matá-lo!
- Faça o que quiser não me importo com ele.
Frederico não sabia mais o que fazer ou dizer para prender a atenção de Erick, como ele poderia ser tão frio ao ponto de abandonar o irmão desse jeito?
- Ele nos deu valiosas informações.
- Sabe o que você faz com essas informações?! – Erick estava totalmente irritado, se virara para olhar Frederico nos olhos, para que ele soubesse o quão perigosa aquela enrolação estava ficando.
- Ele nos falou sobre uma tal de Mariah...
Aquilo fora a gota d’água. De novo, mais rápido que qualquer um pudesse acompanhar, Erick segurava Frederico pelo pescoço da beirada do prédio da faculdade. Sabia que aquela altura não o mataria, mas serviria de lição para que Frederico nunca mais o procurasse.
- Vou te dizer uma coisa: Mariah não é importante para mim. Vitor não é importante para mim. Meu pai não é importante para mim. O MUNDO NÃO É IMPORTANTE PARA MIM. – Seu grito ecoou pelo lugar todo, tamanha a potencia e sua raiva. – Por que você veio me incomodar com isso?! Você quer morrer né? Olhe seus companheiros, já tombaram.
Frederico olhou com certa dificuldade, e viu Henrique arrancar o braço do ultimo que tentava resistir. Ele sentiu raiva, tanta raiva que voltou a se transformar no enorme lobisomem de pêlos vermelhos, mas mesmo ficando quase duas vezes maior que Erick, e mais forte que quando humano, não conseguiu se soltar da mão do vampiro, que só apertava cada vez mais seu pescoço. Sabia que dessa vez não tinha volta, o príncipe vampiro iria matá-lo, com toda certeza.
- Apesar de sentir raiva o suficiente para querer matar você e meio mundo, não o farei. Não ligo para vocês, lobisomens, mas a morte de um líder de matilha causaria uma guerra e isso faria com que meu pai ficasse no meu pé e Deus sabe o quanto odeio isso.
Frederico não conseguia entender aonde Erick queria chegar. Ele, o líder da Alemanha estava a mercê do vampiro e ainda assim ele não queria matá-lo? Como assim?
- Faça o seguinte, me conte onde meu irmão está, eu e meu amigo vamos, não matamos mais ninguém de seu bando e você vai embora, com o rabo entre as pernas, com medo. Dirá para que ninguém mais venha me irritar e que, se vierem, todos morrerão, todos.
Erick não esperou uma confirmação de Frederico, apenas o soltou. O lobisomem não teve onde se segurar, mas sabia como cair e não se machucar. Seu peso fez com que o chão rachasse, e se sentia cansado, amedrontado, mas acima disso tudo, sentia muita raiva, queria matar aquele vampiro, como queria.
- Então, onde ele está? – Ouviu a voz de Erick bem perto de si, e se assustou. Sua velocidade era monstruosa e sua força mais ainda.
Erick riu da reação de Frederico, Henrique também. Frederico voltou a forma humana e silenciosamente mostrou o caminho para eles. Os três corriam de forma sobre-humana, mas Frederico sabia muito bem que se fosse pra valer, os dois vampiros teriam superado ele facilmente.
Em poucos minutos chegaram num grande balcão, localizado à sua da faculdade Erick. Ele conhecia aquele lugar. Fora ali que brigara varias vezes com o irmão, com Henrique e com outros vampiros submissos à ele, só por diversão, só por treino. Pôde diferenciar facilmente o cheiro de Vitor dos demais, e não esperou nenhum sinal de Frederico, entrou no local infestado de lobisomens, que só sentirão sua presença quando ele estava ao lado de Vitor, arrebentando as grossas correntes que o prendiam. Vitor tinha sido espancado, mas aquilo não fizera Erick sentir pena do irmão nem um pouco.
- Você é realmente um fraco imprestável. – Disse, fazendo Vitor se levantar.
- Cala a boca! – Disse Vitor, ele estava realmente irritado e seus ferimentos estavam se curando aos poucos. – Eu matarei todos eles. – Disse, olhando com raiva os três lobisomens que estavam o vigiando.
- Faça o que quiser. – Erick se virava para voltar para casa, mas uma enorme pata segurava firme seu braço, tentando impedir que ele fosse embora.
Erick apenas olhou para quem estava o segurando. Um novo lobisomem surgira no salão, de pêlos totalmente brancos e um olhar zangado. Erick não se importou e decepou o braço do lobisomem, que uivou de dor e deitou no chão, segurando o ombro que sangrava descontroladamente. Os outros três lobisomens foram para cima de Erick, mas antes que chegassem perto dele, cada um levara um belo soco no estômago, lhes tirando o ar, fazendo com que caíssem a alguns metros de onde estavam.
- Que falta de educação atacar um príncipe pela retaguarda. – Disse Henrique sarcasticamente, se juntando a Erick.
- Diga ao seu chefe para sumir daqui, ok? – Erick se virou para o lobisomem branco, jogando seu braço ao dono. – Vamos embora.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Brother

Não conseguia acreditar em tudo o que seu pai dissera. Não podia acreditar. Saber que Sarah tinha uma descendente, saber que uma pessoa no mundo era igual aquela que amou. Não podia acreditar. Sabia que aquilo podia acontecer, mas ele tão azarado que nunca esperou que isso acontecesse com ele. E mais, mesmo que ela fosse parecida com a tataravó, ela não era Sarah, nem nunca será.

Chegou em casa extremamente irritado. Seu pai o encheu de baboseiras e chantagens. Não queria ser quem ele realmente era. Não queria se tornar o Rei dos vampiros. Queria continuar do jeito que estava sem ninguém encima dele, cobrando coisas que ele com certeza nunca faria. Se fosse para alguém ser o Rei, por que não o Vitor, seu meio irmão?

Por falar em Vitor, só naquele momento tinha percebido o cheiro dele. Ótimo, tudo o que precisava agora era da visita inesperada de seu meio irmão.

- Posso sentir seu cheiro, idiota, saia daí. – Disse, sentando-se no grande sofá da sala, ligando a TV.

- Por mais que eu queira meu cheiro não passa despercebido por você e pelo papai, mas só por vocês também.

De uma porta entreaberta no corredor, saiu um rapaz mais baixo que Erick, os cabelos castanhos compridos até o ombro esvoaçaram um pouco com os movimentos rápidos que fez até chegar ao sofá. Sua pele era quase tão clara que a de Erick, porém um pouco mais bronzeada. Seus olhos eram claros, tão claros que pareciam cor de gelo, se é que aquela cor existia, e o sorriso que trazia no rosto era um tanto maldoso.

- Pelo jeito papai lhe contou as novidades. – Disse, olhando o irmão diretamente nos olhos.

- Então você já sabia?

- Claro, fui eu quem a encontrou.

A declaração de Vitor mexeu com Erick. Então era isso, o irmão queria lhe provocar, saber qual seria sua reação. Não ia deixar que ele triunfasse nisso tudo. Vitor podia ser meio humano, mas sua astúcia e malicia eram características de um legítimo vampiro.

- Bom pra você. – Disse friamente.

- Tenho que admitir maninho, ela era realmente bonita. A Sarah.

- Sim.

- Uma pena eu não tê-la conhecido.

- Naquela época você não imaginava que iria existir.

- Mas se eu existisse-

- O que você quer?

- Dizer “oi” para o meu querido meio irmão.

- Não seja tão falso Vitor. E se você achou a descendente da Sarah-

- Mariah!

- Mariah... Tão linda, por que não ficou por lá e se casou com ela?

- Como assim?

- Seu plano era dizer que tinha encontrado a descendente de Sarah para nosso pai, para que ele me contasse e aí eu fosse atrás dela para saber se era verdade. Uma armadilha. Você só queria ver o meu sofrimento, a minha angústia. Mas tem uma coisa que você não previu: o meu desinteresse.

- Desinteresse?

- Sim, Vitor. Meu desinteresse. Por mais que Mariah possa ser idêntica à Sarah, a Mariah é a Mariah, ela nunca será a Sarah, nunca.

Vitor ficou paralisado. Não previa realmente essa reação do irmão. Por mais que Mariah fosse a descendente de Sarah, não só pela semelhança física, mas também por que ela era uma bruxa, esperava mais do irmão. Estava de fato indignado.

- Você mudou... – Disse por fim.

- Hahaha! Apesar de tudo, você só é meio vampiro Vitor, nunca saberá o que se passa na minha mente.

- Tenho minhas vantagens por ser assim.

- Você quer eliminar essa sua parte humana.

Erick estava sendo cruel. Jogar na cara de Vitor o seu verdadeiro desejo era como se quisesse que o irmão o atacasse, mesmo que fosse em vão, já que sua força nunca chegaria perto da de Erick.

- Não comece... – Disse Vitor ameaçadoramente. Era verdade que nunca ganhara de Erick numa luta, mas ainda assim, ele soava tão ameaçador quanto um verdadeiro vampiro.

Erick viu os olhos do irmão mudarem de cor. Estavam agora numa cor pouco mais escuras que antes, um azul escuro. Vitor ainda tinha uma metade humana. Uma metade que queria eliminar a qualquer custo, e a única forma disso acontecer era tomando o sangue de um vampiro totalmente puro-sangue, ou seja, seu irmão ou seu pai.

- Você é tão previsível, Vitor. – Disse Erick se levantando e indo até a cozinha. – Quer beber algo? – Tirava da geladeira uma garrafa de vidro cheia de um liquido vermelho-escuro. Era sangue.

- Engraçadinho. – Disse Vitor se levantando também, parou no balcão da cozinha, pegou um copo no secador e o encheu de água. Apesar de ser meio vampiro, sangue não lhe caía muito bem, sempre ficava enjoado.

- Fraco... - Erick sorria sarcasticamente. Adorava provocar o irmão. Adorava torturá-lo. Seu corpo ainda era vivo, ainda corria sangue, seu coração batia, era por isso que não podia beber sangue. Mas Erick sabia muito bem que o cheiro de sangue atiçava a fome de Vitor, o fazia sentir fome de alguma carne mal passada. – Tem carne na geladeira, fraco. – Disse enquanto bebia um pouco do sangue na própria garrafa.

- Vai deixar que eu fique aqui? – Perguntou Vitor, ignorando os insultos e as provocações do irmão.

- Por que você acha isso?

- Por nada...

Apesar de tudo, era assim o relacionamento de ambos. Provocações, somente provocações. Mesmo já sendo irmãos há quase 100 anos, Erick sempre trataria Vitor como um ser humano normal, um ser humano com algumas vantagens.

- Você é fraco. Não agüentaria ficar aqui vendo o que faço.

- Caçando.

- Você ainda não pode caçar.

- Enquanto nosso pai continuar me enrolando...

- Você pode ser o rei.

- Não enquanto for meio humano.

- Não enquanto for fraco.

- ... – Odiava realmente quando Erick fazia tais insinuações. Não fora até lá para receber provocações dele. Fora até lá para provocá-lo.

- Você precisa aprender a tomar sangue sem vomitar. – Erick sorria, sempre gostou de provocar o irmão com essa sua fraqueza. Com essa sua humanidade. – Caso não consiga, nunca se tornará um vampiro completo.

- Você sabe que só o seu sangue ou o do nosso pai podem me transformar por completo.

- Nosso sangue é forte demais para você... Para um humano. Você tem que começar com sangue humano normal. – Ofereceu a garrafa para Vitor que fez uma careta. – Hahaha. Fraco.

Não conseguia mais suportar aquilo, toda aquela provocação. Se levantou bruscamente, utilizando da sua velocidade da sobre humana, segurou firme o pescoço de Erick, ou pelo menos tentou. Erick pegou firmemente o pulso de Vitor e começou a apertá-lo, logo o mais baixo afrouxou o aperto em seu pescoço, mesmo que aquilo não fizesse nem cócegas. O sorriso de Erick estava cada vez mais malvado, ante a visão de dor e sofrimento do irmão.

- Fraco sempre será fraco. Nada poderá mudar isso. Mesmo que você se transforme completamente, tenho 400 anos na sua frente. E sempre serei mais forte que você. – Pegou o irmão pela gola da camiseta preta, o levantou até que as pontas do pé não tocassem no chão, e o lançou contra a janela da sala.

Vitor chocou-se violentamente contra a janela, mas não caiu. A sacada ali era grande o suficiente para parar seu progresso. Levantou-se com dificuldade. Os cacos de vidro espalhados na sacada fez com que suas mãos doessem ao tocá-los. Estava com dificuldade para respirar, o cabelo estava bagunçado e tinha alguns pequenos cortes no rosto e braços. Tinha ódio nos olhos, quanto mais ódio sentia mais escuro seus olhos ficavam, agora era um negro intenso, tanto quando ficavam os de Erick quando estava com fome.

- Seu-desgraçado! – Conseguiu pronunciar com a respiração ainda falhando.

- Viu? Você sempre será um fraco. – Vitor não viu quando e nem como, mas enquanto falava Erick estava do seu lado, os olhos vermelhos brilhando. – Você nunca conseguirá me superar, Vitor, encare a realidade. – De novo aquele sorriso maldoso.

- Espere... E verá... – A presença de Erick estava o incomodando. Aquele era o poder dele. Impor uma presença ameaçadora e assassina, fazendo com que qualquer ameaça se afastasse rapidamente.

- Está quase anoitecendo. Quer sair? – Perguntou Erick, olhando para o céu que já adquiria uma cor azul marinho.

- Heh! Primeiro quase me mata para depois querer sair comigo?

- Quem disse que estava falando com você. – E então, de novo Vitor sentiu uma presença que o incomodava, conhecia aquela presença.

Mais uma pessoa se encontrava na sacada da sala. Ele era tão alto quanto Erick. Seus cabelos loiros cobriam a testa, os olhos estavam tão vermelhos quanto os de Erick agora, mas quando não estavam vermelhos era de um azul intenso. Pele igualmente branca como a de Erick, um sorriso misterioso nos lábios.

- Vejo que você voltou Vitor. – Disse o loiro.

- Olá, Henrique. – Vitor se sentia totalmente desconfortável diante da presença daqueles dois.

- Ainda humano... – Comentou Henrique, um sorriso malicioso aparecendo no rosto.

- Meio humano. – Vitor conseguiu se recompor e decidiu entrar na sala, ficar ali na sacada estava sendo totalmente desconfortável.

Henrique olhou para Erick, o sorriso desapareceu. Queria saber o que Vitor fazia ali e por que Erick ainda não o expulsara.

- Então...? – Começou a falar, mas Erick levantou a mão, impedindo-o de continuar.

- Nada que você precise saber. – Aquilo era um ponto final no assunto, decididamente.

- Ok... Ainda quer sair?

- Claro que quero!

O clima de repente mudou, como se nada tivesse acontecido. Vitor percebeu isso de dentro da sala, não conseguia acreditar como algo assim era possível. Até poucos instantes sua presença fazia com o que o irmão ficava hostil. Era só Henrique chegar que tudo mudava. Odiava Henrique por causa disso.

- Você vem junto Vitor? – Perguntou Henrique.

- Ele é fraco, não é digno de andar com a gente, um humano... – A provocação de Erick tocou fundo dessa vez. Conhecia muito bem o desprezo que o irmão tinha por si, e sua parte humana sempre ficava mal quando era tratado assim. – Humanos são extremamente fracos, você sabe.

- Sim, eu sei.

Vitor viu no olhar de Henrique algo como pena, ou seria ilusão? Henrique era um vampiro, vampiros não tinham emoção ou qualquer tipo de sentimento. O que Erick sentiu uma vez por aquela bruxa podia ser facilmente classificado como encantamento. Era nisso o que seu pai acreditava, mas às vezes duvidava disso.

- Vitor, arrume essa bagunça se quiser ficar aqui. – Disse Erick friamente enquanto ia em direção ao seu quarto com Henrique no seu encalço.

Vitor ficou sozinho na sala por um momento. Não sabia o que fazer ou o que dizer. Seu irmão aceitou com que ele ficasse lá, mas para ser sua faxineira?! Ele estava abusando isso sim. Levantou-se e foi até o elevador. Iria embora e que se dane seu irmão. Erick era hipócrita e arrogante, era tudo o que mais detestava e nunca sequer fora próximo a ele. Erick gostava de viver sozinho, de fazer tudo aquilo que gostava de fazer sem ninguém por perto, era um enorme idiota. Não iria ficar ali com aquele ser prepotente. Não suportaria ficar ali.

Quando o elevador chegou entrou com presa, ainda sentia um pouco de dor pelo corpo, mas aquilo logo passaria, bastaria comer algo que fizesse aquela fome passar. O cheiro do seu próprio sangue lhe fazia sentir fome. O elevador fechou a porta e saiu de lá sem dizer tchau para Erick, mas prometia para si mesmo que iria voltar e se vingar de Erick, com certeza iria.

domingo, 21 de março de 2010

Serenade

Há duas coisas que ele sempre odiou nos humanos e isso qualquer um podia notar;
Primeira: Eles eram frágeis, extremamente frágeis. Se usasse de sua força total era capaz de parti-los ao meio com facilidade.
Segunda: Eram tão promíscuos, tão fáceis de manipular, aquilo o irritava muito. Era só lançar seu melhor olhar 43 que todos, todos os que olhavam se sentiam hipnotizados e fascinados por ele.
Mas talvez, a coisa que mais odiava nos humanos era o fato de nenhum ser igual a ela. Ela foi a única pessoa que resistiu ao seu encanto. A única que resistiu a sua força. A única que foi capaz de amansá-lo, se é que isso era possível. Perto dela ele se sentia humano de novo, sentia seu coração bater de novo. Sentia-se vivo.
Mas agora, ele só queria descontar sua raiva na raça humana, só queria vê-los sofrer, só queria ver a dor e agonia quando sugava seu sangue. Para ele nada mais importava.
- Erick, você precisa parar com isso. – Disse Valquiria, uma de suas antigas companheiras quando entrava no seu quarto pela janela, na noite seguinte.
- Parar com o quê? – Perguntou, estava irritado como sempre, dando uma tragada em seu cigarro.
- Trazer vadias para cá e matá-las. – Disse Valquiria, cutucando com a ponta da bota preta de couro o corpo inanimado da mulher. – Além de feder, logo vão começar a procurar por ela.
- Hunf. Como se eu me importasse. – Disse ele, revirando os olhos na órbita, um sorriso amargo no rosto. – Por que você está aqui? Meu pai se cansou de você? – O sorriso agora era maldoso e cheio de malicia.
- Isso não é da sua conta. Senti cheiro de sangue, pensei em muita gente, mas não esperava que você fosse tão descuidado. – Ainda mexendo no corpo com a conta da bota, virou-o para poder o olhar o rosto da vítima. – Bonita, lembra dela...
Ele não fez nada, não falou nada. Sua expressão era um total vazio, o olhar agora direcionado à janela, procurando algo ou simplesmente olhando nada. Não conseguia dizer no que ele estava pensando. Desde quando se conheceram, há 200 anos, ele era assim, um olhar frio e profundo, personalidade psicótica e sádica. Nunca se importou com ninguém, somente com ela, aquela que jamais conseguira tornar uma igual a ele. Seu amor o impediu de fazer isso.
- De qualquer jeito, seu pai quer vê-lo.
Ele desviou o olhar, não olhou diretamente para a vampira, mas ela percebeu que ele mantinha um sinal de interrogação na testa, queria saber o porquê de seu pai querer vê-lo.
- Ele não me deu muitos detalhes, só disse que iria te interessar.
- E desde quando ele sabe o que me interessa?
- Ele é seu pai.
- Grande bosta.
- Só vim aqui para lhe dizer isso. Não desconte seu mau humor em mim.
- Não espera que lhe peça desculpas.
- Claro que não.
- Então tchau, Val.
- Tchau... – E saiu do mesmo jeito que entrou.
Não tinha percebido antes, mas o som ainda estava ligado e tocava uma de suas musicas favoritas. Seja lá o que fosse que seu pai queria com ele, sabia que ele não gostava de ficar esperando, mas particularmente adorava provocar seu pai. Se levantou da poltrona e decidiu se arrumar, não iria naquele exato momento para a casa de seu pai, primeiro tinha que se livrar do corpo da estranha. Tinha que concordar com Valquiria, ela era realmente bonita e era parecida com ela. Muito parecida.
Não queria prestar muita atenção nisso agora, tinha que se livrar daquele corpo. Pôs uma calça jeans preta, e colocou o corpo no ombro. Sem pressa alguma acionou o elevador do apartamento e, enquanto esperava jogou o corpo no chão de qualquer jeito e pegou um cigarro. Antes de dar a primeira tragada o elevador chegou, puxou o corpo da mulher pelos cabelos, o jogou de qualquer no elevador, e apertou o botão do subsolo, que era onde estava seu carro.
Abriu o porta-malas e jogou o corpo. Pegou uma camiseta preta no banco de trás e saiu da garagem cantando pneu. A casa de seu pai não ficava muito longe dali, e como seu pai queria vê-lo, pensou em lhe dar um presentinho. Sorriu sarcasticamente imaginando a cara de seu pai ao ver o corpo da mulher na sua frente, jogado em sua mesa. Não demorou a chegar na grande mansão de sua família, ela ocupava um quarteirão inteiro do bairro do Ipiranga em São Paulo. Uma das maiores casas da cidade, e ainda se perguntava o porquê de tanto espaço sendo que só viviam lá o pai e suas putas particulares.
Encostou o carro perto do portão principal e nem precisou abrir a porta do carro, um dos muitos serviçais de seu pai lhe fez esse favor.
- Como vai Sr. Ercik? – Perguntou o empregado, ele era claramente um humano, mais um dos que caíram na armadilha de seu pai de lhes dar a vida eterna.
- Melhor se não tivesse que ter vindo para cá. – Resmungou para o empregado. – Tenho um presente pro meu pai no porta-malas então deixa que eu tire de lá.
- Como o senhor quiser. – disse o empregado fechando delicadamente a porta do carro de Erick.
Abriu o porta-malas e o empregado se espantou em ver um corpo lá, iria perguntar o porquê, mas quando viu os olhos de Erick brilhar num vermelho vivo, achou melhor não tentar provocá-lo com perguntas inúteis. Erick colocou o corpo no ombro e entrou na casa sem cerimônia alguma. A julgar pelo cheiro que exalava o hall, suspeitou que o pai estava em uma reunião com humanos sobre qualquer coisa que fosse, iria se entediar fácil se ficasse muito tempo com aqueles seres inferiores, portanto ia só perguntar o que seu pai queria e dar-lhe o presentinho.
- Sr. Ercik, seu pai está no escritório da ala sul, deixe que eu o guie. – Disse um empregada, outra humana, como eles eram idiotas.
- Não precisa, eu sei onde é. – Seu humor estava piorando cada vez mais.
Como não queria enrolar, usou de sua velocidade sobre humana para chegar ao escritório, podia ouvir as vozes dos humanos de longe, inclusive sentir seu cheiro. Entrou sem bater na porta, assustando a todos, menos seu pai.
- Pensei que Valquiria lhe disse que queria vê-lo imediatamente. – Disse um homem do outro lado da sala, sentado na única ponta da mesa que fazia um “v” no meio da sala.
Ele vestia um impecável Black tié, os cabelos longos estavam presos e usava óculos por mero capricho. Os cabelos eram de uma cor mais claro que os de Erick, castanhos, os olhos estavam igualmente vermelhos aos do filho, e sua expressão era séria. Apesar de ter mais de 500 anos, o pai de Erick aparentava apenas ter 45, era tão bonito quanto o filho, mas sua expressão era um pouco mais serena.
- É. Lembro que ela me disse algo assim, mas trouxe um presente. – Disse, caminhando até o centro da mesa e largando o corpo no chão.
Todos os presentes na sala, menos Erick e o pai desviaram o olhar do corpo que já adquirira uma cor branca, igual à pele de Erick. Erick sorria maliciosamente para o pai, enquanto este observava a atitude do filho como se fosse comum ele fazer isso.
- Me espera na sala ao lado. – Disse friamente ao filho, voltando a olhar os papéis à sua frente.
- Não, me diga o que você quer, não quero esperar.
- Erick, estou numa reunião.
- E daí?!
- Eu disse para me esperar na sala.
- Então não deve ser tão importante assim. – Disse, se virando e indo em direção à única janela existente na sala. – Vou embora.
- É sobre Sarah!
Ele hesitou ante o nome proferido. Por que ele tinha que falar dela na frente daqueles imundos?!
- Como é?
Seu pai sorriu.
- Me espere na sala... – Disse, sem nem olhar para o filho, sabia que sua cara agora era uma mescla de raiva, frustração e interesse. Sabia que qualquer coisa sobre ela, era do interesse de filho e ele mordera sua isca.

sábado, 20 de março de 2010

Let It Rock

Let It Rock

Tudo o que podia fazer era curtir o momento, curtir o som, curtir a vida. A balada naquele estava simplesmente lotada. Via muita gente dançando. Uns dançavam sozinhos, outros acompanhados, outros então... Só faltavam ficar nus ali mesmo. Se perguntava por que sempre que estava chateado, irritado, qualquer coisa do tipo ia pra lá. Lá não ia encontrar o que queria, talvez até encontrasse, mas era só por uma noite. Não para sempre.

Continuou observando as pessoas dançando. Ninguém que chamasse sua atenção passava por lá. Estava na área VIP, de lá poderia ver tudo e todos, mas como era possível não encontrar uma pessoa interessante? Sentia as pessoas olharem para ele, isso era normal, sabia que chamava atenção. Não que fosse convencido, só que admitia ser atraente para os olhos dos outros.

Sentiu que devia sair de lá um pouco, talvez andar, esquecer tudo o que via lá, gostava daquele lugar, mas sentia nojo de tudo o que via, de tudo o que ouvia. Mas antes de chegar na porta sentiu uma mão lhe puxando de volta. Se virou para ver quem era e quem sabe discutir, mas não teve tempo, recebera um belo beijo. Um beijo que esqueceria facilmente, por mais ardente que fosse, por mais excitado que tenha ficado, nenhum beijo era igual ao daquela pessoa. E isso só o fez lembrar dela, só o fez lembrar de sua dor, de sua raiva.

Graças a essas lembranças decidiu não se segurar mais, deixou o beijo rolar, deixou tudo rolar. Aquele beijo até que era bom, sentia suas mãos descendo pelo corpo dela, era bem atraente pelo tato. Podia sentir ela gemer devagar e baixo entre os beijos, estava gostando de como ele a segurava com força e a puxava para mais perto de si. Queria mais contato que isso, queria aquele corpo agora mesmo, um corpo que lembrava tanto o dela. Como duas pessoas poderiam ter o mesmo tipo de corpo? Isso tinha que ser impossível.

Logo sentiu vontade de sair dali e continuar o que ela queria muito fazer. Guiou-a aos beijos até seu carro, com o controle abriu as portas e ligou o carro, ela se sentou no banco do passageiro e ficou esperando ele dar a volta para ir ao banco de motorista. Foi tudo muito rápido. Sentou-se, saiu da garagem do local e logo estava a caminho de casa. As caricias continuaram lá dentro e a mulher não perdeu tempo e colocar seu objeto de desejo para fora da calça. Não lembra bem do que ela disse, pois o som do carro estava alto, mas achava que era algo como: “muito bonito, do jeito que gosto.”

Quase perdeu o controle do carro quando a saliva quente daquela desconhecida tocou seu membro. Particularmente nunca sentiu tanto tesão ao ser chupado. Não que não gostava. Mas ninguém sabia fazer aquilo direito. Ninguém a não ser ela. De novo voltou a pensar nela. Inconscientemente forçou a cabeça da estranha para baixou, ela engasgou, mas não estava nem aí. Mal sabia ela que no final de tudo aquilo tudo que ia sobrar seriam as lembranças, se é que mortos têm lembranças.

Não demorou muito e finalmente chegou a seu apartamento. Não queria mais demorar com aquilo, com aquela demora. Abriu a porta com força demais, tirando-a do lugar, mas aquela humana nem percebeu, estava ocupada demais, trepada nele o beijando. Ele simplesmente largou a porta no chão, e continuou o trajeto até seu quarto. No corredor passou em frente a um espelho, ela decidiu olhar, só para ter certeza de que era verdade que estava com aquele lindo homem e por um momento pensou estar alucinando. Via-se parada no ar, mas só isso, como se fosse mágica, ele não tinha reflexo. Ok concordou consigo mesma quando pensou que era tudo graças ao êxtase que tomou minutos antes de ir até ele.

Quando finalmente chegou ao quarto e a jogou na cama, e mais rápido do que ela podia acompanhar, tirou toda sua roupa, ficando só de cueca. Parou um tempo, para que ela pudesse vê-lo e admirá-lo. E ela olhou e sentia cada vez mais vontade de tê-lo dentro de si. Seu corpo era escultural, tudo no lugar, combinava perfeitamente com ele, tão perfeitamente que parecia surreal.

Seus cabelos curtos arrepiados pretos, seus olhos intensamente negros e sua pele branca, combinavam. Fazia contraste, era um modelo, tinha de ser. Lindo daquele jeito. Ele sorriu, pela primeira vez. Se encantou com aquele sorriso, seus dentes eram perfeitamente brancos e perfeitamente perfeitos. Que sorte tinha de estar no mesmo quarto que ele.

Viu ela se despir lentamente. Não, não queria assim. Queria que tudo fosse rápido. Queria acabar logo com isso. Tinha que admitir que ela era bonita. O suficiente para qualquer um menos para ele. Ele era exigente e para ele ninguém a substituíra. Chegou perto daquela estranha e terminou de tirar as roupas que lhe faltavam. Logo estava deitado com ela, tendo mais uma noite de luxuria. Sem prazer algum pois humanos... Humanos não eram capazes de diverti-lo, de entretê-lo. Ela gemia alto, odiava aquilo. Não era gemido de prazer e sim de dor. Fazia tudo aquilo com força, com selvageria. Ligou o som num volume considerável para que seus gemidos fossem abafados. Ela o pegara num péssimo dia e ainda o fizera lembrar duas vezes da outra. Seu humor estava realmente péssimo.

Quando finalmente terminou, não perdeu tempo. Ela estava cansada e totalmente “nas nuvens” aproveitou para “jantar”. Suas presas apareceram automaticamente e mordeu com fúria seu pescoço. Ela começou a se contorcer, tentou gritar mas o som estava alto demais para que alguém a ouvisse. Aquele liquido era tão bom, tão quente. Sentia-se vivo de novo, sentia prazer de novo. Aquela mulher não sabia que tinha se metido com um demônio de fato, como suspirava enquanto transavam. O sangue escorria devagar pelo pescoço e chegou até o seio direito. Ele o lambeu, não queria perder uma gota se quer. Finalmente se sentia vivo de novo. Jogou o corpo no chão e andou até a varanda do quarto. Encostou no parapeito, sentindo o vento tocar seu rosto. Abriu os olhos e eles adquiriram uma nova cor. Um vermelho tão intenso que parecia sangue. Um vermelho vivo que hipnotizaria qualquer um que o olhasse direto nos olhos. Sorriu.